Tag Archives: Desperdício

Será que todo lixo é lixo mesmo?

8 Fev

Pois é, nem sempre gostaríamos de jogar fora algo. Quantas vezes você não pensou: poxa, alguém poderia usar isso. Mas devido a vários motivos, temos mesmo que nos desfazer de coisas. Isso acaba gerando mais e mais lixo nas nossas cidades…

E foi aí que entrou em cena a ideia brilhante da dupla Maarten Heijltjes & Simon Akkaya, também conhecidos como Waarmakers: a Goedzak. O nome é esquisito, mas a proposta é excelente! Ela é uma sacola especial para você colocar na rua coisas que você não quer mais, mas que pode ser utilizada por outra pessoa. Se um objeto estiver dentro dessa sacola, significa que ele ainda pode ser usado. Ele pode ser um lixo para você, mas não pra outra pessoa. Isso é demais, pois dá vida longa às coisas e diminui a montanha de lixo gerada diariamente (algo que partilha a ideia do projeto Cradle to Cradle – Do Berço ao Berço – já discutido aqui no blog).

A Goedzak faz parte de um grande projeto chamado “Design for Altruism” (Design altruísta, em tradução livre). Uma série de ações pensadas para desencadear um comportamento altruísta nas pessoas. Esperamos que a moda pegue e chegue ao Brasil!

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IPEMA – Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica

6 Set

Em um post anterior, falamos sobre a Permacultura, um movimento que busca interromper o desperdício e repetir o ciclo fechado da natureza – a sobra de um processo é matéria prima para outro. E essa ideia vem sendo amplamente difundida desde 1999 pelo IPEMA, o Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica.

A instituição está baseada em Ubatuba e sua missão é “fomentar e difundir a permacultura para a criação de assentamentos humanos sustentáveis”. Na prática, significa receber, abrigar, conscientizar e capacitar qualquer pessoa interessada em aprender e desenvolver técnicas de permacultura, como: bioconstrução, aproveitamento total de resíduos (orgânicos ou não), ecovilas e outras atividades relacionadas. Eles fazem isso por meio de cursos, imersões e programas especiais para grupos. Além dessa agenda, eles recebem qualquer um interessado em ajudar um pouco no desenvolvimento do espaço. Uma vez ali, a ordem é colocar a mão na massa e literalmente ajudar a levantar novas estruturas como alojamentos e banheiros. Segundo eles, o IPEMA está sempre em construção; expandindo-se estruturalmente para aumentar sua capacidade de ensino da importante filosofia e prática da Permacultura.

Acesse o site para saibar mais sobre o IPEMA, seus cursos, ecovilas, bioconstrução e como visitá-los.

Cradle to Cradle (Do berço ao berço)

21 Maio

Quando olhamos para os métodos de produção do ser humano, uma coisa nos salta aos olhos: o desperdício; principalmente de materiais e de energia. Nós tiramos matéria prima da natureza, criamos novos componentes e, no final do ciclo, algumas (poucas) partes são recicladas e o restante é empilhado em uma montanha de resíduos que poluem o meio ambiente. O que fazer com isso vem sendo um grande problema…

Porém, o químico Michael Braungart e o arquiteto William McDonough estão há tempos trabalhando para que essa montanha de resíduos deixe de existir. Eles são os responsáveis por disseminar a filosofia do cradle to cradle, que em português significa do “berço ao berço”.

Para eles, não basta desperdiçar menos – menos pior, continua sendo ruim; é preciso eliminar de vez os resíduos dos métodos produtivos. O atual modelo (chamado pelos autores de cradle to grave; em português, do berço à cova) “extrai – produz – distribui/vende – descarta” é extremamente nocivo para o meio ambiente, e ele deve ser substituído por um modelo de desperdício zero. E o ensinamento vem da própria natureza: o que é resíduo em um sistema, é matéria prima em outro.

De acordo com Michael e William, basicamente, os produtos devem necessariamente integrar um dos dois ciclos: o biológico ou o técnico. No primeiro, um produto, após ser utilizado, sofrerá a degradação natural e voltará para a terra como nutriente para que uma planta seja alimentada e possa entrar novamente no ciclo de produção (por exemplo: uma camiseta biodegradável, que após o uso, se transforma em adubo para o pé de algodão que será colhido, processado e transformado em tecido novamente). No ciclo técnico, os produtos deverão ser pensados de uma forma que todos os seus componentes sejam separados, sofram um processo de repolimerização (uma “restauração”) e sejam novamente remontados no mesmo produto (por exemplo: uma bicicleta que, após muito uso, é levada para a desmontagem, as peças passam pelo processo de “restauração” e são posteriormente remontadas para que a bicicleta seja colocada à venda novamente).

A ideia parece utópica, mas muitas empresas já contrataram a consultoria do McDonough Braungart Design Chemistry (instituto dos dois autores) para implementar o cradle to cradle em suas linhas de produção. Claro que a substituição do modelo atual é um processo bastante lento; mas é através da mudança de postura que se alcança um resultado diferente.

Todo o conceito é amplamente explicado no excelente livro chamado Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things (em uma tradução livre, Do berço ao berço: refazendo a maneira como fazemos as coisas – por enquanto, o livro ainda não tem tradução para o português) e no site oficial dos autores (também em inglês).

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