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Bioconstrução combina técnicas milenares com inovações tecnológicas

21 Set

Texto escrito por Carol Cantariano, no site do Instituto Uniemp.

BIOCONSTRUÇÃO COMBINA TÉCNICAS MILENARES COM INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

Princípios de sustentabilidade cada vez mais orientam a construção civil, considerado um dos setores que mais causa impactos no meio ambiente devido ao alto consumo de materiais, energia e geração de resíduos. Empresas têm investido na chamada responsabilidade ambiental e muitas delas estão se especializando em bioconstrução, uma modalidade da arquitetura e da construção civil cujo princípio é reunir tecnologias milenares e inovativas para garantir a sustentabilidade não só do processo construtivo mas também do período pós-ocupação de casas e apartamentos.

Uso de matérias-primas, recicladas ou naturais, disponíveis no local da obra; gestão e economia de água tais como reuso ou aproveitamento da água da chuva; fontes alternativas de energia como aquecimento solar ou energia eólica; coleta seletiva e reciclagem de lixo; técnicas construtivas baseadas na utilização do barro, palha ou bambu. A bioconstrução abrange uma série de tecnologias e a viabilidade ecológica, econômica e social de sua aplicação depende, principalmente, da avaliação do local da obra.

Sistemas de reaproveitamento da água e de aquecimento solar podem ser aplicados em qualquer residência ou apartamento da cidade de São Paulo por exemplo. Já a utilização de matérias-primas naturais depende do que estiver disponível no local de construção. “Cabe ao arquiteto fazer essa avaliação porque dessa disponibilidade é que depende a relação custo-benefício da obra”, afirma Marcelo Todescan, um dos diretores da Todescan Siciliano Arquitetura, escritório especializado em projetos residenciais que utilizam técnicas bioconstrutivas.

MATERIAIS MENOS TÓXICOS

A opção pela utilização de matérias-primas locais também é feita em detrimento de materiais que agridem o meio ambiente seja em seu processo de obtenção ou fabricação, seja durante a aplicação ou ao longo de sua vida útil. A intenção também é a de que a construção seja menos tóxica e invasiva para os moradores. Por conta disso é que materiais como PVC (policloreto de vinil), alumínio, tintas, solventes e revestimentos sintéticos (como o carpete) são evitados nesse tipo de empreendimento.

A bioconstrução é considerada uma alternativa viável mesmo em grandes cidades como São Paulo. Todescan cita um projeto, já em fase de acabamento, inteiramente baseado nessa técnica. A casa, que fica no bairro da Granja Viana, foi erguida a partir da aplicação de uma técnica japonesa milenar denominada tsuchi kabe, empregada na construção de templos budistas. Ela combina a utilização de várias matérias-primas naturais: pedras são utilizadas nos alicerces e as paredes são construídas a partir de uma estrutura de madeira reciclada, bambu, terra e argila. A escolha da tsuchi kabe não foi aleatória: a maioria desses materiais encontrava-se disponível no local da construção, o que viabilizou economicamente a obra. Sistemas de captação e reuso de água e de aquecimento solar também foram adotados.

O arquiteto lembra que a bioconstrução não se resume à utilização de materiais ecologicamente corretos. O envolvimento do morador durante todo o processo de construção é bastante valorizado. Na casa construída na Granja Viana, foram realizados “mutirões” ao longo de três finais de semana: a família do proprietário, seus amigos e vizinhos reuniram-se para que juntos aprendessem e aplicassem técnicas relacionadas ao uso do barro e à pintura de paredes com cal.

TECNOLOGIA SOLAR EM CASAS POPULARES

A utilização de fontes alternativas de energia renovável é um dos princípios mais valorizados da bioconstrução, mas a economia representada pela substituição da eletricidade por coletores solares para aquecimento de água ainda é desconhecida da maioria da população. “Cabe ao poder público divulgar e tornar essa tecnologia mais acessível, principalmente para as famílias de baixa renda”. Essa é a opinião de Jane Tassinari Fantinelli, que defendeu doutorado sobre o assunto na Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A arquiteta defende o uso de sistemas termo-solares por famílias carentes tendo em vista os resultados obtidos pelo Projeto Sapucaias, a primeira experiência monitorada de instalação de sistemas de aquecimento solar para a água de banho em área urbana no Brasil. Financiado pela Eletrobrás, o projeto foi desenvolvido ao longo de cinco anos junto a 100 famílias do município de Contagem (MG).

 

A utilização dos coletores levou a uma redução de 34,6% no consumo de energia elétrica. Mas a economia na conta a pagar foi muito maior: variou de 56 a 71%, já que, por causa da redução do gasto de energia, as famílias entraram tanto na faixa dos beneficiários das políticas de incentivo de baixo consumo das concessionárias, como nos programas de transferência de renda do governo federal — ambos prevêem descontos na tarifa de energia elétrica.

“A disseminação do uso de coletores solares depende de políticas públicas de planejamento energético. Se elas forem focalizadas nas famílias de baixa renda, resultados significativos, com certeza, serão alcançados”, acredita Fantinelli.

Segundo a arquiteta, o consumo de energia está relacionado à renda. O tempo de banho das classes populares, por exemplo, é menor que o das classes de maior poder aquisitivo. Devido a essa diferença de comportamento, não só o gasto de energia, mas também o volume de água requerido pelas famílias de baixa renda são, conseqüentemente, menores, o que permitiu que o Projeto Sapucaias adotasse coletores solares compactos (dotados com placa de 2 metros quadrados e reservatório de água com capacidade para 200 litros) e, por isso, mais baratos.

Como não há produção em escala de tecnologia solar no país, a aquisição e instalação de um coletor solar compacto gira em torno de R$1.400. Entretanto, a economia propiciada pelo sistema compensa os gastos. Apesar de pouco divulgada, na Caixa Econômica Federal há uma linha de financiamento exclusiva para a compra de coletores solares.

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Em ano olímpico, a busca por um recorde diferente…

10 Jul

No dia 27 de Julho começam as Olimpíadas de Londres. Um período onde a superação e quebra de limites farão parte da vida de diversos atletas representando seus países. A busca é pela medalha de ouro, e alguns esportes ainda oferecerem outra oportunidade de consagração: a de quebrar um recorde olímpico ou mundial. Uma incrível recompensa aos atletas que se dedicam anos para dar o seu melhor durante a Olimpíada. Mas os recordes não são apenas uma exclusividade dos esportes. Este ano tivemos duas quebras em uma atitude que só ajuda o planeta: painéis solares.

A primeira notícia veio da Índia: a inauguração do maior parque de energia solar do mundo, superando o recorde que era da China. Quando estiver totalmente operante, irá reduzir a emissão de dióxido de carbono em 8 milhões de toneladas(!). Tudo isso faz parte de um projeto do governo para incentivar o uso da energia solar por pessoas em suas casas, fazendo a adequação em seus telhados.

Não demorou muito até que o recorde fosse quebrado pela Alemanha. O objetivo do país é estar livre da energia nuclear até o ano de 2022. O parque alemão é gigantesco e responde por 50% da demanda energética de todo o país – 20 gigawatt, o equivalente a 20 usinas nucleares. O anúncio foi recebido com algum ceticismo por parte de alguns políticos, que acreditam que a energia renovável não acompanhará a demanda sempre crescente do país.

Gostem os críticos ou não, cada vez mais, as energias renováveis são um caminho sem volta. As formas atuais oferecem grandes riscos à natureza e à saúde humana. Não podemos mais poluir nosso planeta indefinidamente ou correr riscos de acidentes nucleares que infectam locais por muitos anos.

O sol fornece toda a energia e calor para o nosso planeta e, aconteça o que acontecer, ele sempre irá brilhar no dia seguinte – com menor ou maior intensidade. A natureza nos dá uma quantidade sem precedentes de energia todos os dias; cabe a nós utilizá-la.

E que venham as próximas quebras de recordes para o nosso bem-estar!

Ações sustentáveis: um aeroporto e um restaurante

11 Jun

Muitas vezes temos a sensação de que a solução para problemas só são possíveis com grandes atitudes. Porém, qualquer mudança em uma escala global é muito mais difícil de ser alcançada. Por isso é que ideias pequenas podem mostrar novas possibilidades de se abordar um problema pontualmente e, porque não, ser replicada em outras cidades e países.

Aqui vão dois exemplos de atitudes que podem ser tomadas em qualquer contexto:

Parede antipoluição em aeroporto no Canadá

1,4 mil metros quadrados e 8 mil plantas de 32 espécies diferentes. Essa é a parede ecológica no Aeroporto Internacional de Edmonton, no Canadá (Alberta), mais um projeto da empresa Green Over Grey (Verde sobre o Cinza, em uma tradução livre). Aos poucos, as plantas crescerão e darão um ar mais tridimensional para a instalação. Um detalhe: tudo nela é sustentável. Os painéis de sustentação foram produzidos com plástico descartado e fibras têxtil recicladas e ela recebe água de forma hidropônica.

Gastronomia solar

A ideia é genial: panelas posicionadas acima de grandes placas que refletem a luz do sol. Os criadores do projeto dizem que é possível atingir uma temperatura de 300°, além de ser mais rápido que um fogão tradicional, já que o calor é praticamente instantâneo. Claro, o funcionamento está condicionado a um dia ensolarado, mas a experiência de almoçar em um belo dia no parque da cidade do Porto é excelente. Assista aqui a uma reportagem sobre o restaurante.

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